quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Rumo à criação da vida artificial: conheça três pesquisas importantes


Entenda as três principais vertentes de pesquisa


Biologia sintética: mistura os elementos químicos que teriam criado a vida espontaneamente na Terra.
Engenharia genética: tenta fabricar novos organismos com DNA totalmente sintético.
Engenharia-reversa com computadores: simula a vida com tecnologia, em modelos ultra realistas construídos com os computadores mais avançados do mundo.


Conheça algumas das pesquisas mais interessantes rumo à criação da vida artificial



Projeto: Biologia sintética

Quem faz: Cientistas da Universidade de Harvard, EUA

Como funciona: O objetivo é praticamente recriar a origem da vida em laboratório, com protocélulas construídas a partir da manipulação de elementos químicos. Para cumprir a missão, os cientistas precisam criar um tipo de organismo que possa se multiplicar e sobreviver sozinho.

Quais as chances: A equipe do biólogo molecular Jack Szostak já chegou bem perto: conseguiu construir células com partes de ácidos nucléicos que têm o código-fonte para duplicação e que se reproduziram captando energia de fonte externa (sol ou reações químicas). São células bem simples (que não se parecem em nada com as nossas), mas o processo só não pode ser chamado de “vida” porque não é totalmente autônomo. Os cientistas ainda têm que dar uma mãozinha para que a célula capte energia e se multiplique.



Projeto: Synthetic Genomics

Quem faz: O biólogo J. Craig Venter, em sua fundação privada

Como funciona: Com engenharia genética, a equipe de Verter fabrica e injeta códigos sintéticos em células de bactérias. A ideia é que os mecanismos celulares sejam capazes de ler a informação genética artificial e produzir proteínas a partir da “receita” programada pelos cientistas. Através dessa técnica seria possível criar bactérias sintéticas capazes de produzir por conta própria combustíveis alternativos como etanol e hidrogênio com um gasto mínimo de energia.

Quais as chances: Craig Venter tem um histórico de sucesso: em 1995, a equipe dele foi a primeira a decifrar o código genético de uma bactéria, com quase 2 milhões de nucleotídeos. Ele também já conseguiu injetar o DNA sintético de um vírus em uma célula de bactéria, que leu as informações e produziu as proteínas codificadas na fórmula. Esse ano, Venter anunciou que, em breve, espera fazer o mesmo experimento com cromossomos sintéticos. “O que ele fez até agora foi apenas copiar um genoma de um organismo que já existia. Criar todo um código genético seria muito difícil. Teríamos que conhecer muito bem todas as funções de todas as sequencias do DNA, e isso ainda está muito distante”, diz Rafael Soares, biólogo molecular da USP.


Projeto: Blue Brain Project (Projeto Cérebro Azul)

Quem faz: Projeto internacional iniciado em 2005 na Escola Politécnica Federal de Lausanne. Comandado pelo neurocientista Henry Markram e financiado com verbas do governo da Suíça e doações de pessoas físicas.

Como funciona: Computadores tentam reproduzir em detalhes o cérebro de mamíferos e simular sua atividade em 3D, na chamada engenharia reversa. A pesquisa conta com mais de 10 mil processadores e softwares equipados com um catálogo de milhares de neurônios. A simulação ajudaria a encontrar curas e tratamentos para doenças mentais e diminuiria a necessidade de pesquisas com animais.

Quais as chances: Até agora, Henry Markram já conseguiu simular metade do neocortex (região mais evoluída do cérebro) de um rato. Mas suas ambições são altas: promete que em apenas 10 anos, conseguirá emular um cérebro humano. Além de fazê-lo funcionar no computador, o cientista garante ainda que o cérebro artificial será capaz de criar sua própria consciência. “Tenho um pé atrás em relação a afirmações desse tipo. Não basta construir 100 bilhões de neurônios. O sistema cerebral é complexo demais e, apesar de todos os nossos conhecimentos, ainda sabemos muito pouco sobre o que exatamente é a consciência. Nossos modelos, por mais sofisticados que sejam, são representações muito mais simples do que neurônios reais”, afirma o engenheiro eletrônico Márcio Lobo Netto, professor das disciplinas de vida artificial e ciência cognitiva da Escola Politécnica da USP.
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